Dream or reality?
| (1ºParte: Fugir tentando não olhar para trás) |
DEIXA-ME EM PAZ! Saí a correr pela janela da cozinha como costumava fazer para sair de casa.
Era de noite, e pensava para mim que era apenas mais uma loucura minha sair assim com a cabeça perdida, mas como era hábito meu não pensar antes de fazer as coisas, nada importava. Comecei a andar muito rápido, quase a correr com medo que aparecesse alguém e me levasse. Olhava o telemóvel e tinha chamadas não atendidas da minha mãe, e de amigos provavelmente a quem ela tinha ligado. Decidi desligar o telemóvel, e guarda-lo na mochila para não ter a tentação de ligar ao meu namorado ou ás minhas amigas. O problema era meu e apenas eu tinha de suporta-lo. Mais ninguém. Desde quando é que eu me iria desfazer em lágrimas á frente dos meus amigos?
O meu coração estava aos pulos, e eu continuava a andar, cada vez mais rápido. Acabo por chegar ao apeadeiro da Madalena onde me sento e espero pelo próximo comboio. Tiro o maço da mochila e acendo um cigarro, o que com a ajuda da música que ponho do meu telemóvel, rapidamente me acalma um pouco. Ouvia-se a música para lá dos meus fones, mas nada me acalmava mais. O apeadeiro estava vazio, e eu comecei a sentir frio. Ainda estava de biquíni, uma pequena saia de ganga e uma camisola de mostrar o ombro, preta. Tirei a minha toalha de praia da mochila para me poder aquecer um bocado enquanto pensava que não devia estar a fazer aquilo. Enquanto isso, pára um comboio mesmo á minha frente e não consegui entrar, acabando por o perder. Desatei a chorar. Sentia-me uma miúda a fazer birra.
Tinha chegado da praia, mas desta vez houve uma discussão das más com a minha mãe. Era certo que todos os dias havia uma, mas foi tanta a acumulação que não aguentei mais e tive de sair.
Estava magoada e nervosa, e já nem fechar-me no quarto como d'antes fazia resultava. Todos os pensamentos me vinham á cabeça. O que estariam a pensar os meus amigos? E a minha mãe? Teria ligado á polícia? Mas agora já era tarde para decidir ir para casa, iria ouvir ainda mais, agora teria de levar o meu erro até ao fim, seja a que custo for.
Parou mais uma vez um comboio dos que param em todas. Entrei e sentei-me junto a uma janela, encostando a cabeça e embrulhando-me numa toalha ouvindo a música 'impossible', não cantada pela Shontelle, mas sim pela Maddi Jane.
Estava com os olhos fechados, embora de vez em quando os abrisse. Vi o Pica (Revisor dos comboios) a passar por mim, mas continuou a andar e nem me pediu pelo Andante. Talvez tenha pensado que estava a dormir, e simplesmente não me quis acordar.
Passei por Valadares, Francelos, Miramar, Aguda, Granja e finalmente Espinho, onde finalmente saí. Já tinha feito esse caminho de comboio imensas vezes para ir para a praia ou para a piscina de Espinho.
Comecei a andar em direção ao casino para ir para a praia em frente, onde pudesse sentar-me na areia, perto do mar. Envolvi-me na toalha a olhar as ondas e as estrelas, com a minha música de fundo, e tiro um cigarro da mochila. Apesar do frio, que me punha a tremer, estava bem ali. As ondas do mar estavam a conseguir acalmar-me a mim, e ao meu coração. Dei por mim, eram 4 da manhã. Já não tinha comboio para voltar a essa hora, mas tinha tanto frio que apenas pensava na minha cama, ou pelo menos em ir para a estação. Deitei-me um bocado na toalha, e ao fim de muito custo... adormeci.
(continua...)
Quarta-feira, 19-07-12, 16:30.
| (2ºParte: Visita imprevista.) Um calor enorme, os pés com água e uma voz melodiosa e meiga me fizeram abrir os olhos. 'Shhh, calma. Não te vou fazer mal.' Dei um salto para trás, o meu coração acelerou e um 'ahh' saiu da minha boca. Estava assustada, mas o dono dessa voz rapidamente acrescentou 'Sou o Duarte, desculpa mas mal te vi aqui deitada fiquei super preocupado até perceber que estavas a dormir e não consegui acordar-te, mas decidi ficar contigo, não te podia deixar aqui sozinha'. Continuei de pé atrás, não o conhecia e nem estava minimamente interessada. Mas bem, o Duarte era muito bonito, tinha uns olhos castanhos claros, cabelo á fodasse castanho alourado, uma pele super morena e... Porque estaria ele sem camisola!? Não que lhe ficasse mal (pensava para mim escapando-me um pequeno sorriso maroto) Com esta minha reação ele sorriu também apercebendo-se para onde eu olhava e como se tivesse percebido o meu olhar, divertido sorriu olhando para as minhas pernas, onde estavam tanto a sua camisola como o seu casaco. 'Obrigada'. Foi o que apenas consegui pronunciar nesse momento. Logo a seguir, o Duarte preocupado, bombardeou-me com bastantes perguntas, tais como 'Porque estás aqui sozinha a estas horas? Estavas bêbada ou fumas-te alguma coisa?' Deixei-o parar de falar para pensar em alguma resposta. Não lhe queria estar a dar letra, não o conhecia de lado nenhum e não tinha nada haver com a minha vida pessoal. E porque estaria ele aquelas horas também na praia? E foi exatamente isso que lhe perguntei ignorando todas as suas perguntas anteriores. 'Prefiro não falar disso senão te importares. Desculpa.' Voltei a desviar o olhar do seu e voltei-me para o mar sem lhe responder. 'Já vi que não és lá muito faladora, ou talvez seja apenas comigo...' e ao dizer isso, esboçou um sorriso que apenas queria dizer 'Diz-me que não tenho razão.' 'Apenas não estou nos meus dias, lamento...' respondi-lhe, retribuindo-lhe o sorriso, mas muito menos verdadeiro que o dele. 'Queres ir tomar o pequeno-almoço a qualquer sítio? Ou... preferes que te leve a casa?' Mal estas suas palavras foram pronunciadas não sabia o que dizer. 'Já te disse que não te quero fazer mal, apenas quero que estejas bem, não me perguntes o porque, mas senti que te devia proteger mal te vi aqui deitada.' Fiquei espantada com o que Duarte dizia, e num tom de brincadeira respondi-lhe que o meu namorado talvez não achasse muita piada ao ouvir isso, e sorri envergonhada. 'E foi por causa dele que para aqui vies-te?' Abanei que não com a cabeça e levantei-me da areia húmida (também por causa do orvalho) e acendi um cigarro. Ele não fumava e sentiu-se um bocado encomudado, o que fez com que eu me afastasse um pouco, mas não adiantou pois ele voltou a aproximar-se e perguntou se era sempre assim tão amarga com as pessoas. 'Não, não sou, não faças perguntas, mas hoje estou um pouco assim e peço desculpa por o estar a ser, mas de qualquer maneira obrigada por teres cuidado de mim, foste muito simpático, mas não precisavas, acho que ainda o sei fazer...' 'Conseguias cuidar de ti, se te agarrassem e levassem?' Comecei a andar mais depressa, sentindo-me um pouco desafiada. 'Não te chateies, não era a minha intenção, pequena.' Sorriu-me carinhosamente enquanto pronunciava a última palavra. 'Não és assim tão alto comparado comigo!' disse, ao que ele respondeu em tom jocoso: 'São só mais uns... 13 centímetros, tem razão menina, peço imensa desculpa' Sorri-lhe fazendo-o perceber que estava desculpado quando chegamos á estação de comboio. Carreguei o andante com o resto de dinheiro que ainda tinha, e desci as escadas a seu lado enquanto via as horas de chegada do próximo comboio.
(continua...)
Quinta-feira, 20-07-12, 22:18. |
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